Uma mulher encontra-se presa em um elevador.
Chegou.
A porta abriu em instantes.
O metal das paredes era tão reluzente, que parecia de mentira. No centro se localizava
um grande espelho na transversal. Entrou.
Era um sapato bonito, e
combinava ainda mais com aquele chão de mármore polido. Exuberante. Apertei no
34 e a luz acendeu. As portas fecharam.
O elevador subiu.
Eu devia ter usado a blusa
branca, quem sabe. Olhei um pouco mais perto do espelho, esperando encontrar
alguma imperfeição. Nada! Estou bonita. Aquela vaga com certeza será minha.
Puxei o pequeno cartão da
bolsa, olhei sem um motivo aparente para o relevo de secretaria executiva.
Lembrei vagamente do meu antigo emprego. Oh! Gerard era tão difícil de agradar.
Reclamações eram constantes. Ele que se dane, era um imbecil.
Suspirei. Guardei bem ao
lado da pasta onde estava meu currículo. Pensei em olhar também. Não! Já tinha
olhado centenas de vezes. Afinal o elevador já estava chegando no 34. Só , 32, 33
e...
Parou. Tudo ficou escuro no
mesmo instante.
Gritei. Meu coração começou
a bater tão forte que quase saltava do peito. Estava desesperada e com medo. Havia
apenas a luz em vermelho. 33. Comecei a gritar por socorro, apertar os botões
de forma descontrolada. Nada acontecia. Ninguém respondia.
Uma voz surgiu.
- Tem alguém ai? Era calma e segura, vinha do interfone acima dos botões.
- Sim, estou presa no
elevador, está tudo escuro aqui, socorro! – Falei em tom de desespero.
- Tenha calma moça. Eles já
estão chegando.
Fiquei um pouco mais calma. Respirei
fundo. Usava a luz do celular para iluminar o local, que na naquele instante
parecia assustador. Esperei. Esperei. Pensei em ligar para alguém, mas achei melhor
não. Já vou sair daqui. Esperei mais um pouco. Impaciente, apertei novamente no
interfone:
- Eles vão demorar muito? –
Já cansada pela espera de quase 40 minutos.
Ninguém respondeu. Havia um estranho
silêncio por trás. Comecei a ficar apavorada. Apertei novamente. Mas nenhuma resposta.
De repente uma voz macabra, acompanhada por uma estranha distorção, foi emitido pelo
interfone:
- Eles... Chegaram... – A
voz vibrou como um aviso, pelas paredes do lugar.
As portas se abriram. Ela gritou desesperadamente.
A partir daquele dia, Jessica nunca mais foi vista.

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