sábado, 31 de janeiro de 2015

Uma mulher encontra-se presa em um elevador.


Chegou.

A porta abriu em instantes. O metal das paredes era tão reluzente, que parecia de mentira. No centro se localizava um grande espelho na transversal. Entrou.

Era um sapato bonito, e combinava ainda mais com aquele chão de mármore polido. Exuberante. Apertei no 34 e a luz acendeu.  As portas fecharam. O elevador subiu.

Eu devia ter usado a blusa branca, quem sabe. Olhei um pouco mais perto do espelho, esperando encontrar alguma imperfeição. Nada! Estou bonita. Aquela vaga com certeza será minha.

Puxei o pequeno cartão da bolsa, olhei sem um motivo aparente para o relevo de secretaria executiva. Lembrei vagamente do meu antigo emprego. Oh! Gerard era tão difícil de agradar. Reclamações eram constantes. Ele que se dane, era um imbecil.

Suspirei. Guardei bem ao lado da pasta onde estava meu currículo. Pensei em olhar também. Não! Já tinha olhado centenas de vezes. Afinal o elevador já estava chegando no 34. Só , 32, 33 e...

Parou. Tudo ficou escuro no mesmo instante.

Gritei. Meu coração começou a bater tão forte que quase saltava do peito. Estava desesperada e com medo. Havia apenas a luz em vermelho. 33. Comecei a gritar por socorro, apertar os botões de forma descontrolada. Nada acontecia. Ninguém respondia.

Uma voz surgiu.

- Tem alguém ai? Era calma e segura, vinha do interfone acima dos botões.

- Sim, estou presa no elevador, está tudo escuro aqui, socorro! – Falei em tom de desespero.

- Tenha calma moça. Eles já estão chegando.

Fiquei um pouco mais calma. Respirei fundo. Usava a luz do celular para iluminar o local, que na naquele instante parecia assustador. Esperei. Esperei. Pensei em ligar para alguém, mas achei melhor não. Já vou sair daqui. Esperei mais um pouco. Impaciente, apertei novamente no interfone:

- Eles vão demorar muito? – Já cansada pela espera de quase 40 minutos.

Ninguém respondeu. Havia um estranho silêncio por trás. Comecei a ficar apavorada. Apertei novamente. Mas nenhuma resposta. De repente uma voz macabra, acompanhada por uma estranha distorção, foi emitido pelo interfone:

- Eles... Chegaram... – A voz vibrou como um aviso, pelas paredes do lugar.


As portas se abriram. Ela gritou desesperadamente.

A partir daquele dia, Jessica nunca mais foi vista.

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