Um homem perambulando sozinho pela noite, vaga por uma rua deserta.
A
música estava tocando.
Os créditos finais subiam. Eu
estava saindo da quadra do cinema. Já tinha passado das duas da manhã. Devido á
um problema mecânico hoje cedo, eu deveria usar meu par de tênis para retornar
a minha casa.
Nenhum problema. Sempre tive
prazer em caminhar.
A cidade sempre foi calma,
nem um pouco violenta, a noite se assemelhava á uma vila do século XIX, com
relativa calmaria, e uma solidão crescente nas ruas. Típico das cidades do
interior do Brasil.
Havia uma gradativa música
vinda do centro, onde as luzes entoavam a pequena concentração de pessoas perto
dos carros. Bebidas e risadas.
Não fazia meu tipo.
Entrei na rua á esquerda, onde poderia pegar
um atalho e contornar o centro e me desviar daquelas luzes, do som alto, e
principalmente daquela gente.
O problema era a pouca
iluminação, e durante o percurso não havia quase nenhuma casa contornando a
estrada. Exceto perto de algumas quadras que cortavam o percurso.
Nenhum problema.
Quando a noite era
iluminada, acompanhada por uma brisa suave, uma lua farta demonstrando o
caminho. Tudo isso soava como um chamado para mim.
Havia grilos cantando,
capim, algumas cercas de madeira, e a estrada entalhada em pedras, embora em
alguns pontos a terra e as plantas floresciam em suas margens.
Uma casa velha ao fundo.
Distante. Parecia abandonada. Nenhuma luz. Nenhum sinal de qualquer coisa.
Exceto o estranho rangido de metal, que lembrava uma antiga cadeira de balanço.
Assustador, tenebroso, apressei o passo.
O medo e a desconfiança
tomou conta.
Fiquei cada vez mais
distante daquele som. Encontrei uma quadra iluminada e algumas
casas ao lado. Espere! Tem alguém parado no meio da rua. Imóvel. Parece uma estatua.
O desespero tomou conta. É melhor voltar, pode ser um ladrão.
Aquela casa agora tem luz.
Existe um carro. Pessoas em volta. Tem uma fogueira. Sangue no chão. Estão
usando mascaras. Um deles tem uma arma. Olham para mim.
Era
aquela gente.

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