sexta-feira, 30 de janeiro de 2015





Um homem perambulando sozinho pela noite, vaga por uma rua deserta.


A música estava tocando.

Os créditos finais subiam. Eu estava saindo da quadra do cinema. Já tinha passado das duas da manhã. Devido á um problema mecânico hoje cedo, eu deveria usar meu par de tênis para retornar a minha casa.

Nenhum problema. Sempre tive prazer em caminhar.

A cidade sempre foi calma, nem um pouco violenta, a noite se assemelhava á uma vila do século XIX, com relativa calmaria, e uma solidão crescente nas ruas. Típico das cidades do interior do Brasil.

Havia uma gradativa música vinda do centro, onde as luzes entoavam a pequena concentração de pessoas perto dos carros. Bebidas e risadas.

Não fazia meu tipo.

 Entrei na rua á esquerda, onde poderia pegar um atalho e contornar o centro e me desviar daquelas luzes, do som alto, e principalmente daquela gente.

O problema era a pouca iluminação, e durante o percurso não havia quase nenhuma casa contornando a estrada. Exceto perto de algumas quadras que cortavam o percurso.

Nenhum problema.

Quando a noite era iluminada, acompanhada por uma brisa suave, uma lua farta demonstrando o caminho. Tudo isso soava como um chamado para mim.

Havia grilos cantando, capim, algumas cercas de madeira, e a estrada entalhada em pedras, embora em alguns pontos a terra e as plantas floresciam em suas margens.

Uma casa velha ao fundo. Distante. Parecia abandonada. Nenhuma luz. Nenhum sinal de qualquer coisa. Exceto o estranho rangido de metal, que lembrava uma antiga cadeira de balanço. Assustador, tenebroso, apressei o passo.

O medo e a desconfiança tomou conta.

Fiquei cada vez mais distante daquele som. Encontrei uma quadra iluminada e algumas casas ao lado. Espere! Tem alguém parado no meio da rua. Imóvel. Parece uma estatua. O desespero tomou conta. É melhor voltar, pode ser um ladrão.

Aquela casa agora tem luz. Existe um carro. Pessoas em volta. Tem uma fogueira. Sangue no chão. Estão usando mascaras. Um deles tem uma arma. Olham para mim.


Era aquela gente.

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