terça-feira, 3 de fevereiro de 2015







Um velho delegado de policia prestes a se aposentar, recebe uma misteriosa carta. 

Processos. Jurisdição

A mesa estava tomada por pilhas de processos. Homicídios. Furtos. Estelionato. Usurpação. Chega. Era tudo que o delegado Ferreira pensava. Restavam-lhe alguns poucos dias antes de sua aposentadoria. Já começava a planejar seus dias de ócio. Viagens. Bons momentos com Marília. Descanso.

Culpado. Homicídio culposo digitou o oficial administrativo no computador.

O meliante saiu da sala. Matou sua mulher. Tinha uma filha de 3 anos. A avó cuidaria. Coitada, estava sozinha.

Faltava 1 hora para o fim do expediente. Os processos acumulados, já tinham se esvaído em sua metade. O delegado Ferreira gozava de suas horas de trabalhos duros bem exercidos naquele dia.

Avistou uma carta. Leia. Caneta vermelha. 301.

O delegado se aproximou e pegou o envelope em suas mãos: Venha até mim, apartamento 301, Rua dos Bercantes, dizia a carta em letras escritas à caneta com um traço bagunçado.
Sorriu.

Perguntou a qualquer um sobre a carta. Ninguém sabia como esse documento foi parar no local. Não havia remetente. Podia ser apenas uma brincadeira. Ignorou. Tinha mais processos chegando.

As estrelas já estavam começando a se apresentar. Fim do expediente. O caos emergente da cidade no fim do dia começava a aparecer.

O delegado Ferreira entrou em seu carro. Ajustou a camisa. Pegou a estrada e se enturmou no engarrafamento crescente do crepúsculo.

Lembrou do endereço da carta e como um bom investigador e aspirante ao desconhecido. Dobrou a esquina e decidiu averiguar.

O prédio estava abandonado. Vazio. Paredes queimadas. Um incidente há 30 anos. 5 pessoas morreram.

Pensou em ir embora, mas a curiosidade latente tomou conto de sua vontade. Entrou. Havia um cheiro ruim. Lixo. Ratos. Alguns objetos antigos, corroídos pelo tempo.

A arma estava no bolso. O apartamento 301 estava em sua frente. Não havia nenhum barulho.

Abriu lentamente a porta, com eximia periculosidade.
Vazio. Destruído.

Havia uma foto no centro do cômodo. Era ele. Tinha 3 anos, quando seu irmão morreu queimado.

Juntamente com sua única foto.

Até agora.

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