Um velho delegado de policia prestes a se aposentar, recebe uma misteriosa carta.
Processos.
Jurisdição
A mesa estava tomada por
pilhas de processos. Homicídios. Furtos. Estelionato. Usurpação. Chega. Era
tudo que o delegado Ferreira pensava. Restavam-lhe alguns poucos dias antes de
sua aposentadoria. Já começava a planejar seus dias de ócio. Viagens. Bons
momentos com Marília. Descanso.
Culpado. Homicídio culposo
digitou o oficial administrativo no computador.
O meliante saiu da sala.
Matou sua mulher. Tinha uma filha de 3 anos. A avó cuidaria. Coitada, estava
sozinha.
Faltava 1 hora para o fim do
expediente. Os processos acumulados, já tinham se esvaído em sua metade. O
delegado Ferreira gozava de suas horas de trabalhos duros bem exercidos naquele
dia.
Avistou uma carta. Leia.
Caneta vermelha. 301.
O delegado se aproximou e
pegou o envelope em suas mãos: Venha até mim, apartamento 301, Rua dos
Bercantes, dizia a carta em letras escritas à caneta com um traço bagunçado.
Sorriu.
Perguntou a qualquer um
sobre a carta. Ninguém sabia como esse documento foi parar no local. Não havia
remetente. Podia ser apenas uma brincadeira. Ignorou. Tinha mais processos
chegando.
As estrelas já estavam
começando a se apresentar. Fim do expediente. O caos emergente da cidade no fim
do dia começava a aparecer.
O delegado Ferreira entrou
em seu carro. Ajustou a camisa. Pegou a estrada e se enturmou no engarrafamento
crescente do crepúsculo.
Lembrou do endereço da carta
e como um bom investigador e aspirante ao desconhecido. Dobrou a esquina e
decidiu averiguar.
O prédio estava abandonado.
Vazio. Paredes queimadas. Um incidente há 30 anos. 5 pessoas morreram.
Pensou em ir embora, mas a
curiosidade latente tomou conto de sua vontade. Entrou. Havia um cheiro ruim.
Lixo. Ratos. Alguns objetos antigos, corroídos pelo tempo.
A arma estava no bolso. O
apartamento 301 estava em sua frente. Não havia nenhum barulho.
Abriu lentamente a porta,
com eximia periculosidade.
Vazio. Destruído.
Havia uma foto no centro do
cômodo. Era ele. Tinha 3 anos, quando seu irmão morreu queimado.
Juntamente com sua única
foto.
Até agora.

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